sábado, 24 de novembro de 2007

A rotação do plantel

Pegando em comentários recentes no chat, penso que é de toda a pertinência falarmos da rotação da equipa.
Começo logo por dizer que o blog serve também para isto, expormos dúvidas, críticas, sugestões, elogios, pois sem diálogo é que certamente seria mais complicado todos se sentirem satisfeitos com o trabalho realizado.

O debate deste tema tem que começar logo com um ponto prévio de partida: não é fácil gerir 20 atletas de forma agradar a todos. Certamente que todos terão a sua opinião, certamente que todos terão a sua “fórmula de gestão”, mas compete à equipa técnica avaliar o momento de cada atleta, as necessidades da equipa e a estratégia a adoptar, de forma a tomar decisões de forma o mais consciente possível.

Partindo deste ponto, começo por referir que a equipa de escolas de futebol de 11 do SC Coimbrões é uma equipa de competição. Ao contrário de , por exemplo, a Futjovem na qual o objectivo é funcionar exactamente como uma escola de futebol, a nossa equipa de 11 actua num campeonato distrital e como tal, por muito que os resultados possam não ser o essencial, está o nome do clube e a competência de dirigentes, treinadores e atletas em questão.
Isto não significa que o fundamental não seja o ensino, é claramente. O objectivo neste escalão passa por dotar os atletas de maiores capacidades motoras, maior relação com bola, maior sentido posicional e táctico, maior disciplina, etc. É nesse sentido que são pensados os treinos ou seja, proporcionar através de exercícios diversos novos desafios para os atletas serem obrigados a desenvolver novas capacidades.
É claro que podemos insistir mais neste ou naquele ponto, mas o objectivo passa por de forma gradual conseguir desenvolver os atletas da melhor forma.

Contudo ,e como em qualquer desporto, temos atletas mais maduros e com maior talento, ou pelo menos com as suas capacidades mais desenvolvidas e temos atletas que demonstram algumas fragilidades que devem ser debeladas.
Para chegarmos a estes 20 atletas relembro que muitos foram aqueles que infelizmente ficaram pelo caminho. Foram feitas captações onde tantos outros miúdos com a ambição de jogar no SC Coimbrões ficaram de fora. Como tal, estes 20 têm a responsabilidade acrescida de terem sido os 20 atletas escolhidos para jogar no campeonato de competição (algo diferente do futebol de 7 porque a exigência e os objectivos são diferentes).
Num “mundo ideal” teriam sido dada as mesmas chances a todos os atletas que se candidataram a esta equipa algo que não aconteceu. Assim, os técnicos exigem empenho e esforço dos atletas e tomam decisões de forma a suportar os objectivos propostos: desenvolvimento de diferentes componentes dos atletas mas sem esquecer a competição, pois caso contrário seria muito mais benéfico uma futjovem, sem exigência competitiva e apenas com a vertente de ensino.
É este o pressuposto fundamental e é este o fundamento que norteia as decisões técnicas.

De uma forma justa e coerente tentamos dar a possibilidade de todos jogarem, mas como em qualquer equipa existem atletas mais preponderantes, outros menos, existem atletas mais disciplinados, outros menos, existem atletas com maior rendimento nos treinos, outros menos.
Pegando unicamente no jogo deste sábado dou já aqui dois exemplos flagrantes: o Ricardo Carvalho nunca havia sido titular. Durante a semana teve uma atitude exemplar. Bom empenho, bom rendimento e muita disciplina. Hoje apareceu com a camisola 3 no jogo. Por outro lado, o Marco teve uma atitude disciplinar reprovável. Os técnicos falaram com ele, fizeram-no perceber onde estava a errar e apesar de ser um jogador regularmente titular, o Marco apareceu no banco. Ele sabe as razões e sabe que os misters foram justos.
Temos aqui dois bons exemplos daquilo que tentamos fazer: incentivar os que sobem de rendimento e “castigar” aqueles que falham com o pacto feito entre treinadores e atletas.

Por outro lado, gostaria também de realçar que duvido muito que todas as outras equipas do campeonato tenham feito uma gestão tão grande dos atletas.
Dos 20 atletas do plantel todos jogaram. Dos 20 atletas do plantel, 15, 16 já experimentaram a titularidade. Será que nas outras equipas assistimos ao mesmo “panorama”? Tenho muitas, muitas dúvidas. Aliás, basta estar atento ás movimentações de banco da maioria dos adversários para termos essa noção.

Conclusão:
Como equipa de competição e tendo em conta as exigências que isso implica penso, sinceramente, e não procurando defender o “meu lado”, que temos feito uma boa gestão do grupo, dando naturalmente mais minutos aos atletas mais preparados e que estão em melhor forma, mas premiando todos aqueles que durante a semana se revelam.
Estou certo que os atletas que têm jogado menos terão obviamente a ambição e a vontade de jogar mais, estou certo que todos os pais ou encarregados de educação estão desejosos de ver os seus filhos em campo, mas atenção e volto a repetir: esta é uma equipa de competição e como tal a aposta neste ou naquele atleta nunca poderá ser feita única e somente baseada no mesmo número de minutos para todos os atletas, embora de forma racional os treinadores procurem dar oportunidades a todos os atletas, como vem sendo uma norma.

Para terminar queria só também referir que não é verdade que haja qualquer tipo de tratamento especial por parte da equipa técnica a este ou aquela atleta, não seria sequer uma boa política de gestão de grupo.
Os treinadores partiram do 0 para uma relação de proximidade com os atletas. Todos eles sem excepção são avaliados diariamente quer em termos futebolísticos quer em termos de conduta. Nunca procuramos diferenciar atletas, embora existam atletas que por si só se diferenciem pela positiva ou pela negativa, mediante o tipo de comportamento que apresentam. Tal como em termos de qualidades futebolísticas, existem certamente atletas que pela sua postura e comportamento acabam por ter um peso maior, até mesmo no seio do grupo dos atletas, e serão os próprios a confirmar isto.
Como tal, acredito que por vezes pareça que os treinadores possam “implicar” mais com este ou aquele atleta, mas nada acontece por acaso. Tentamos corrigi-los, tentamos molda-los de forma a integrarem o grupo da melhor forma e de forma a desenvolverem a sua disciplina e o seu espírito de grupo, o respeito pelas hierarquias.
Todos somos diferentes, como tal nem todos os atletas se adaptam da mesma forma, aceitam hierarquia da mesma forma, etc...é perfeitamente compreensível e os treinadores sabem disso, daí a tolerância que vamos dando a comportamentos menos positivos, que em alguns casos se repetem com frequência.
Agora, numa lógica de avaliação e de decisão é perfeitamente natural que alguns atletas pela postura que revelam sejam premiados por isso, quer seja de forma consciente ou inconsciente, directa ou indirectamente (aqui o indirectamente refere-se á possibilidade desses atletas serem chamados menos vezes á atenção). O contrário também se passa, mas a partir do momento que assistimos a melhorias ou á resposta positiva da parte dos atletas, garanto que irá existir compensação desse esforço e dessas melhorias.


Agradeço novamente as sugestões e críticas feitas. Penso que só dessa forma poderemos evoluir ou pelo menos desmistificar alguns mal entendidos que possam passar para fora.
Procurei ser o mais claro e honesto possível. Tenho consciência que ,por ventura, mesmo assim não convencerei todos os acompanhantes directos ou indirectos desta equipa, mas espero ter sido claro em alguns dos pressupostos que norteiam as decisões dos treinadores e algumas das atitudes adoptadas perante os atletas.
Como grupo somos todos iguais. Mas numa lógica de avaliação (e na vida somos avaliados a cada segundo que passa) aqueles que têm melhores performances, melhor atitude e cumpram os objectivos pretendidos terão naturalmente que ser recompensados por isso, caso contrário sentiriam o seu empenho e esforço em vão. A todos os outros, o que se exige é que mantenham a concentração e que lutem cada vez mais por também eles atingirem os patamares pretendidos. Nunca deixaremos um atleta baixar os braços!
Cumprimentos
Mister Nelson

1 comentário:

Anónimo disse...

Agradeço a critica, porque é também com criticas (Positivas e negativas) que se constroi uma equipa e um grupo forte.

Como o Nelson tomou a liberdade de responder e bem, não me vou alongar muito, vou apenas focar alguns ponto e dar alguns dados estatísticos sobre o plantel.

Realço que dos 20 atletas, 17 já foram titulares, faltando apenas o Guga, o Luís e o Moutinho, que terão também eles a sua oportunidade.
Em 8 jogos realizados apenas por 2 vezes houve jogadores que não entraram qualquer minuto, o que faz que em 6 jogos tivessem jogado sempre os 18 convocados.
Os guarda-redes, também à excepção de 2 jogos, jogam sempre.
À 3ª Jornada já todos os jogadores haviam jogado, à excepção do Guga que só pôde jogar mais tarde devido a um problema na sua inscrição.
Agora pergunto eu, Será que mais alguma equipa da nossa série já "rodou" a equipa toda?
Será que mais alguma equipa teve em 6 dos 8 jogos, 18 jogadores a jogar?
Será que mais alguma equipa joga com os 2 guarda-redes constantemente como nós o fazemos? Só me lembro de ver o Arcozelo trocar de GR contra nós, não me lembro de mais nenhuma equipa!
Relembro que os líderes nos jogos contra nós e que perdemos os 2 jogos por 3-0, fizeram apenas 2 (Ol. Douro) e 3 (Candal) substituições enquanto nós fizemos todos os nossos jogadores rodar.
O nosso critério tem sido justo na minha opinião, mas aceito a critica.
Tentamos fazer o melhor trabalho, tentamos sempre ser justos com todos e tentamos conciliar os resultados também à rotatividade do plantel.
Mais uma vez agradeço as criticas e sabem que podem sempre debater estes e outros pontos que desejem com a equipa técnica. A porta do nosso gabinete está aberta a todos!

Para terminar queria só dizer que houve aqui um comentário muito acertado...

Realmente há meninos mais especiais do que outros...
Os do SPORTING CLUBE DE COIMBRÕES são sem dúvida alguma mais especiais que os meninos das outras equipas porque são os Nossos MENINOS!

Abraço