segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Até ao presente

Depois de duas vitórias bem diferentes, uma por clara exibição de grande nível e outra conseguida pelo querer, pelo acreditar e pelo sacrifício, os escolas do Coimbrões conseguiam alcançar uma posição que dentro do Clube só os Séniores conseguiam – estar invencíveis.
Contudo, esperavamos difíceis embates na semana seguinte.

A estreia do Futebol de 7
Durante a semana começamos a preparar o Futebol de 7 para o seu primeiro encontro oficial.
O sorteio do Campeonato foi claramente madrasto para a nossa equipa. Calhamos contra algumas das mais fortes equipas do distrito, com a agravante de muitas delas terem acabado com o Futebol de 11 nos seus escalões de formação apostado no Futebol de 7 para integrar os escolas de último ano.
O desafio colocado a estes miúdos era e é um desafio muito duro e só o espírito de sacrifício, mentalidade bem aberta e a vontade de progredir e jogar futebol pode suplantar as dificuldades que teremos no campo, perante adversários muitíssimo complicados.
Maior capacidade física, mais experiência, mais anos de formação enquanto atletas, tudo isto serão handicaps contra os quais teremos de lutar.

Dia 1 de Novembro, estreia..recebiamos em casa, já com o campo preparado para receber jogos de 7, o Penafiel.
O Penafiel é uma das equipas que decidiu apostar unicamente no futebol de 7.
O jogo foi difícil, os nossos “valentes” meninos demonstraram dificuldades perante uma equipa mais forte fisicamente e demonstraram também alguma “verdura” em termos posicionais e colectivos.
Como tal, sofremos a nossa 1ª derrota.

Nesse mesmo dia e após o jogo de Futebol de 7 um momento menos bom dos atletas.
O treino do futebol de 11 foi marcado pela brincadeira excessiva e pela falta de concentração. Os jogadores deixaram transparecer claramente um ego “a bater no tecto”, deixando-se “embriagar” pela invencibilidade até ao momento.
Quando assim é, o trabalho não rende, a informação não é absorvida e aquilo que nós queremos não aparece nos jogos.

5ª Jogo
No dia 3 de Novembro, uma primeira concentração no nosso Estádio e partimos para o derby contra o nosso “vizinho” Candal.
Senti da parte dos miúdos ,durante a semana, algum receio em lá ir jogar. Não apenas por estarmos a falar do 1º classificado, pois o trabalho motivacional dos misters fez esquecer esse pormenor, mas sim pelos problemas que terão existido alguns jogos antes nesse mesmo recinto. Os rumores do que lá aconteceu são muitos, e os miúdos deixaram-se afectar pelo receio de defronta-los.

Chegamos ao Candal, fomos amavelmente recebidos pelo director da equipa local e dirigimo-nos ao balneário para a palestra antes de equipar.
Mais uma vez e apesar de todo o esforço dos misters, ficou a ideia de alguns miúdos estarem com algum receio e outros convencidos que eramos invencíveis.
Foi uma palestra longa, pedimos para que eles respeitassem a nossa identidade e forma de jogar e que fossem para o campo para dar o seu melhor.
O jogo não correu bem. A equipa entrou nervosa e a jogar mal.
Pouco raciocínio, muito chutão para a frente e muita desorganização.
O CD Candal procurou um jogo mais tranquilo e com bola no chão e ainda na 1ª parte numa jogada em que há 50% de mérito do adversário e 50% demérito nosso, o Candal chega ao golo que lhe garantia a vantagem ao intervalo.
No intervalo um discurso de “choque”. Perceber as razões para tanto receio e intranquilidade e incutir-lhes raça e vontade de ganhar. Corrigir posicionalmente a equipa e explicar-lhes uma nova estratégia para a 2ª parte.
O arbitro apita para retomar o jogo, o Coimbrões começa a subir no campo, o Candal está encurralado. “Uffa..o discurso resultou e os nossos meninos vão dar a volta”, pensei eu. A bola sempre perto da área do Candal, as linhas bem subidas, a equipa estendida a toda a largura e à procura constante de maneiras de furar a defensiva Candalense.
10 minutos de grande nível e eis que num contra-ataque do Candal, cruzamento para a área e o Miguel num lance de infelicidade salta e toca a bola para a própria baliza. 2-0.
Foi um castigo muito grande para estes meninos. Revelaram postura e capacidade de resposta quando entraram para a 2ª parte, mas num lance de infortúnio o resultado agravava-se e o tempo apertava para o fim.
O Mister Zé decidiu arriscar tudo e já numa tentativa desesperada de chegar ao golo, o Candal faz o 3º e o resultado final estava encontrado.
No final, o Miguel chorava. Expliquei-lhe que errar é humano, que até os grandes jogadores de Futebol ,que ele tem tem como ídolos, falham e que portanto não queria ver mais lágrimas nem um sentimento de culpa de nada. A equipa perdeu. Não foi o Miguel, o Fábio, o Tozé que perdeu..foram todos.
No balneário a equipa estava triste.
Logo ali aprenderam uma lição muito importante: na 5ª feira tinham encarado o treino de forma excessivamente descontraída e com pouca concentração – o resultado estava à vista.
Para se ser melhor do que os adversários é preciso trabalhar com seriedade e afinco e não foi isso que se tinha passado na 5ª feira.
O recado estava dado, hora de recompor o moral das “tropas”, incentiva-los e explicar-lhes que não há equipas invencíveis e que voltariamos ao nosso nível no jogo seguinte.

Os misters sairam a correr, os nossos meninos de 7 jogavam em Freamunde.
Connosco, dois apoiantes de peso: o Gonçalo e o Marquinho que fizeram questão de ir apoiar os seus colegas.

2º jogo de Futebol de 7
Chegamos perto do intervalo, o resultado era de 7-0 para o Freamunde.
No balneário rostos fechados, braços em baixo e um ar pesado.
O Mister Manel, que substituiu os misters neste jogo, num discurso inteligente explicou que na 2ª parte estava 0-0, que iriamos entrar para dar o nosso melhor e que o mais importante era alegria a jogar futebol, afinal de contas jogar futebol deverá ser sempre, e antes de algo mais, uma alegria para estes miúdos.
Nós, em particular o Mister Zé, pediu tranquilidade, alegria e organização.
Senti da parte dos miúdos uma lufada de ar fresco, uma revitalização.

Fomos para o campo, os misters junto dos pais na “bancada”.
Muito incentivo, os “meninos” começaram a mostrar o seu futebol, apareceram mais descontraídos e confiantes e o resultado não poderia ser melhor: na 2ª parte..o tal 0-0 revelou-se um 3-1 para a nossa equipa.
Apesar da derrota, a felicidade por uma 2ª parte bem conseguida e o sentimento que tranquilos e divertidos poderiamos dar mais e melhor.

Depois de uma conversa franca com os pais, ouvimos algumas das suas preocupações e aceitamos, como pessoas interessadas, na sugestão que nos deram.
Assim, por uma questão de justiça e lógica, ficava decidido que um dos 3 misters acompanharia sempre a equipa nos jogos em casa e fora.

6º jogo de 11 e 3º de futebol de 7
Durante a semana de trabalho apostamos num fortalecimento da circulação de bola e na finalização para os atletas de 11, e um trabalho de posicionamento com os de 7.

Sábado dia 10 de Novembro, no nosso simpático estádio, dois jogos nos esperavam.
A equipa de 11 defrontaria o S. Felix. Seria a oportunidade para limpar a má imagem deixada no Candal.
Os de 7 defrontavam o dificílimo FC Porto.

Manhã de muito sol e muito boa disposição logo no início da concentração.
Os cartões de atleta dos nossos meninos já tinham chegado, os kits também estariam prontos para ser distribuídos no final, e muito boa disposição entre misters, director e atletas.
Senti logo ali, que a equipa estava tranquila e confiante. A derrota no Candal estava esquecida e os “nossos” meninos” estavam prontos para fazer aquilo que tinham feito durante várias jornadas seguidas: jogar para ganhar, tranquilos e confiantes.

A palestra foi tranquila, esclarecedora e no onze algumas surpresas.
O Nuno aparecia pela primeira vez como titular, não como castigo para o Pedro, que trabalha sempre de forma muito empenhada, mas sim para recompensar o Nuno pela forma como progrediu nas últimas semanas. Depois de alguns amuos, o Nuno decidiu mostrar nos treinos que é opção e que está pronto para lutar por um lugar. Aqui saliento a grande amizade que o Nuno e o Pedro demonstram um para com o outro. Uma competição saudável sem rivalidades ou invejas. Um exemplo para todos!
Na defesa o Bruninho de volta á titularidade e o Bruno Campos no lugar do Diogo. Ficou o aviso para o Diogo, para se jogar é preciso concentração e empenho.
No meio campo os mesmos elementos e a surpresa maior foi a inclusão do Miguel Sousa como titular. O Miguel é também ele um exemplo para o grupo. Havia sido não convocado á umas semanas atrás, mas logo ali no momento em que lhe foi comunicada a decisão demonstrou uma postura correcta e “adulta”. Nos treinos cerrou os dentes e trabalhou com afinco. Era o camisola 10 para este jogo,o nosso ponta de lança, bem merecido!!

O Coimbrões rubricou uma boa exibição.
Apesar de dois sustos provocados pelo S. Felix, os “nossos meninos” jogaram com as linhas bem subidas e a chutar á baliza como haviam treinado durante a semana.
Infelizmente, e mais uma vez, não conseguiamos materializar em golo todas as situações de que dispusemos.
O vento traiu-nos na 1ª parte, mas na palestra ,ao intervalo, foi pedido aos meninos ainda mais pressão, linhas ainda mais altas e também para aproveitarem o vento que iria dificultar as saídas do S. Felix e iria facilitar o remate á baliza da nossa parte.
Depois de muito tentar e muito acreditar, o Tozé que entrou com tudo no jogo, faz um primeiro aviso com um remate muito potente ao poste e poucos minutos mais tarde marca um golão, um remate pleno de intencionalidade e colocação.
Até final, facilmente gerimos o resultado.
Estava ganho!!!

Rapidamente se ouve no balneário o nome do Tozé a ser cantado bem alto, com o nosso “matador” a ser levado ao banho pelos colegas.
A alegria, o sentimento de dever cumprido invadiu o balneário e que bom é ver estes meninos felizes!

Coimbrões – FC Porto
Ainda os de 11 estavam no balneário e já a palestra para os de 7 era dada.
Os meninos repetiam que o jogo estava perdido. Nós, misters, fizemo-los perceber que o que menos interessava naquela manhã era o resultado.
Queriamos ver uma equipa alegre, com garra e sobretudo com vontade de deixar uma boa imagem.
Depois do nosso grito fomos para o campo.
A primeira parte foi até bem "equilibrada". O Porto demonstrava toda a sua superioridade em termos físicos e técnicos, mas os nossos meninos de forma corajosa foram fazendo o que podiam e jogando sempre com muito afinco.
O resultado ao intervalo era de 5-0.
Ao intervalo a equipa estava feliz. Sentiam que o resultado não estava a ser tão mau como eles tinham imaginado. Alias, tivemos perto de fazer um golo.
Contudo na 2ª parte, o Porto entrou decidido a dominar completamente. Uma postura mais agressiva, mais pressionante e com claro objectivo de marcar, marcar marcar.
Os nossos “bravos” fizeram o que puderam, deixaram todas as suas energias em campo mas o resultado final de 14-0, acaba por ser complicado psicologicamente para os atletas.
Algumas lágrimas invadiram a cara do Luis. Rapidamente fizemos sentar o grupo e passamos a mensagem que mais importante do que o resultado tinha sido a atitude. Nunca baixamos os braços, demos aquilo que tinhamos para dar, jogamos contra uma equipa de outra dimensão, mas sobretudo honramos a camisola.
Senti orgulho nos miúdos!
Os pais como sempre cumpriram a sua parte com um belo incentivo.

Para a a semana há mais............

Assinado: Mister Nelson

2 comentários:

Guto disse...

Q luxo q isto está!! Vou precisar de mais tempo pra ler tudo... Cada post do mister Nélson é uma aula de filosofia, verdadeiros textos literário!! hehe

Depois façam um logo para colocar cm link no site do Coimbrões. Vejam em www.sccoimbroes.net (o .pt ainda n tem o re-direct) os logos da direita e tentem fazer qq coisa do género pra eu por lá sff!

Maria Mateus disse...

Como pais do TóZé, felicitamos a presente equipe de Misters pelo trabalho que têm desenvolvido com este grupo.
Estão a fomentar com sucesso valores essenciais ao seu desenvolvimento, destacando o espirito de grupo, solidariedade e respeito pelo outro.
O Tózé lamenta o sucedido com o Diogo, fica a torcer por rápidas melhoras.
Com os nossos cumprimentos,
Jorge Mateus / Maria João