As primeiras decisões
O tempo não pára e a nossa equipa tinha a estreia no campeonato de Futebol de 11 marcada para duas semanas após o início dos trabalhos com a nova equipa técnica.
Tivemos desde logo que tomar uma decisão, dividir os plantéis.
A decisão foi unânime entre a equipa técnica.
Para o Futebol de 11 pela maior capacidade física, devido á exigência deste tipo de futebol, e pela maior experiência dos atletas como jogadores de Futebol, decidimos incluir no plantel todos os elementos nascidos em 1997. Contudo o plantel ficaria curto. Como tal, foi preciso de forma rápida decidir apostar em alguns atletas mais novos.
O primeiro desses atletas a ser escolhido foi o Rúben, uma aposta que se revela ganha a cada dia que passa. O Rúben é o atleta mais novo do plantel, mas demonstra uma disciplina, uma educação, uma tenacidade e uma capacidade de trabalho fora do vulgar. É um miúdo marcante e como tal é ,no presente, o atleta do mês.
A ele e seus companheiros do Futebol de 11 se juntaram o Diogo por revelar já uma maturação biológica considerável para a idade e também por ocupar uma posição no terreno que se apresentava como lacuna e ainda o Fábio Rei. O Fabinho, apesar da fragilidade física, releva uma grande relação com bola e uma preocupação constante em sair a jogar.
No plantel de 7 foram incluídos todos os restantes atletas. Muitos deles revelam já uma excelente relação com bola e capacidades para se revelarem jogadores de futebol de bom nível.
Contudo as fragilidades físicas, a falta de sentido posicional e espacial e a falta de cultura táctica, serão os principais pontos a ser trabalhados. Estou certo que estes atletas irão revelar uma grande progressão ao longo da época e se continuarem no clube para o ano, formarão um grupo forte. Estão no tipo de futebol certo, uma futebol que exige maior contacto com bola, menos corrida e mais situações de um para um, etc.
Os treinos sucederam-se, o aprofundamento da nossa relação com atletas e pais foi notório e os primeiros compromissos estavam marcados.
Os primeiros testes
O Futebol de 11 numa exibição personalidade venceu o Oliveira do Douro, no seu difícil reduto, por um esclarecedor 4-1 no primeiro e único teste antes do início da temporada.
Já o Futebol de 7 deslocou-se ao Orbicoop para defrontar uma equipa com atletas bem mais velhos. Foi uma exibição de grande nível. Destaco como extremamente curioso e “delicioso” ver o Rui Pedro a lutar com grande tenacidade em todos os lances divididos contra um miúdo vários anos mais velho do que ele.
A atitude dos meninos de futebol de 7 foi fantástica e apesar da derrota saimos com o sentimento de dever cumprido.
A estreia
Chegamos ao dia de estreia no Campeonato.
A concentração, bem cedo, no nosso estádio deixou perceber a ansiedade e nervosismo dos miúdos. Perfeitamente compreensível. Era a estreia no campeonato, o momento porque todos ansiavam.
A primeira convocatória, o primeiro onze, a primeira palestra mais formal.
Chegamos a Pedroso, campo difícil, tivemos uma longa e frontal conversa. Definimos a estratégia, estabelecemos o pacto de darmos tudo o que tinhamos e fomos para o campo para defrontar o Canidelo.
Infelizmente o jogo não correu da melhor maneira. Entramos muito nervosos, deixamos a nossa capacidade colectiva turvar-se pelos nervos e acabamos por fazer um jogo taco a taco com o Canidelo.
Fizemos o 1-0, mas fisicamente quebramos e baixamos as linhas em demasia. Acabamos por sofrer o golo do empate a 5 minutos do fim e não conseguimos responder da melhor maneira.
O jogo terminou, mas eis que os “nossos” Pais ,numa atitude fantástica, incentivaram os miúdos, os rebuçados voaram para o campo e a possível tristeza esvaneceu-se.
Afinal de contas tinhamos dado o nosso melhor, tentamos jogar da melhor forma possível mas nem sempre as coisas saiem como nós queremos.
No balneário uma tranquilizadora conversa, passando a mensagem para os atletas que mais do que o resultado, o importante é dar-mos o nosso melhor!
O 2º desafio
Seguiu-se mais uma semana de trabalho. O Mister Zé estabeleceu como prioridade incutir nos miúdos uma maior relação com bola, trabalhar o passe e recepção.
Á 5ª o tradicional treino para afinar as questões colectivas.
Bela semana de trabalho.
Dia 13 de Outubro recebemos o Arcozelo.
O Mister Zé e eu definimos que iriamos apresentar uma equipa agressiva. Não, não se trata de uma equipa violenta, uma equipa agressiva no sentido de pressionar o mais alto possível. “Abafar” o adversário, não o deixar respirar, era este o nosso objectivo.
Na palestra um trabalho motivacional muito forte, incutir e fazer com que os atletas visualizem a vitória e estejam preparados para deixar tudo em campo.
Entramos em campo, a equipa mostrava-se decidida. Bem organizados, as linhas bem altas, o Arcozelo remetido ao seu meio campo.
Os minutos iam passando, os nossos atletas demonstravam uma atitude fabulosa. A bola não saia do meio campo defensivo do Arcozelo e quando passava, o Gonçalo estava la para resolver (que grande jogo deste menino).
Fizemos tudo, cruzamentos, remates, tabelas, tudo. Mas a bola não quis entrar, a equipa de arbitragem (que também têm o direito a errar) não viu 2 grandes penalidades, o poste travou um excelente remate do Tozé e no fim o empate a 0.
Que sabor amargo, que injustiça. Os miúdos sentiram e deixaram-se abater.
No balneário, os misters sentiram a necessidade de sobretudo tranquilizar a equipa. A estratégia foi conseguida, o futebol foi de qualidade mas a bola não entrou.
Deixamos a certeza que para a semana gritariamos finalmente vitória! Os meninos sairam a acreditar.
3º Jogo
Após a bela exibição frente ao Arcozelo, decidimos tornar os treinos mais complexos, exigir mais dos atletas.
Os de onze começaram a trabalhar o passe e a movimentação á procura do espaço para receber, os de 7 começaram a trabalhar os processos colectivos.
Mais uma vez treinamos bem, nós, misters, muito satisfeitos com o trabalho e a confiança começou a crescer.
De volta a Pedroso iriamos defrontar a equipa local, uma equipa que tinha deixado uma ou outra boa indicação num jogo observado anteriormente.
A palestra ficou marcada pela confiança e pela certeza absoluta que iriamos inverter a posição de Coimbrões e Pedroso numa tabela afixada, estratégicamente, á entrada para os balneários.
Entre nós a promessa que no final sairiamos por cima!
Depois de anunciado o onze e dada a palestra, eis a primeira reacção negativa ás decisões dos misters.
O Marquinho, numa semana marcada por alguma indisciplina no treino, acabara de ficar de fora do onze. A reacção não foi a melhor, o “nosso” Marquinho aceitou mal a decisão e foi preciso uma conversa série e honesta com ele. A muito custo lá recuperou a estima!
O jogo terá sido, a par do Arcozelo, o nosso melhor jogo.
Depois de uma superior primeira parte mas na qual ainda desciamos muito as linhas sem necessidade, ficou estabelecido entre os misters a correcção constante e o pedido incessante e audível para os nossos “bravos” pressionarem o adversário logo junto á área adversária.
A segunda parte foi fantástica. O Pedroso não fez qualquer ataque, as nossas oportunidades de golo acumulavam-se mas foi preciso esperar pelos 10 minutos finais para o Dani decidir a partida.
2-0, uma exibição de grande personalidade e entrega. Uma vitória marcada pela coragem em fazer dos avançados os nossos primeiros defesas, os médios uma autentica parede, os laterais quase extremos e os centrais apenas a tocarem na bola como recurso, pois o objectivo era mesmo abafar o “adversário”.
Missão cumprida! Grande exibição, muita alegria no balneário e a vitória, que para todos os efeitos funciona como injecção de confiança e motivação, finalmente aparecia, tarde...mas aparecia!
E como maldadezinha a setinha a indicar que o Coimbrões estava agora acima do Pedroso na tabela ;) .
4º jogo
Segunda feira, ainda na memória de todos a excelente exibição realizada no sábado, desde logo uma salva de palmas colectiva para nós. O trabalho e a dedicação compensa, a inteligência e o jogo colectivo são segredos para se alcançar as vitórias e os nossos meninos estavam a actuar a um nível alto.
Nos treinos vários exercícios para explorar e potenciar as qualidades dos atletas, no futebol de 7 mais tempo para os jogos de futebol de maneira a conhecerem-se melhor.
Sábado dia 27-10, esperavamos o encontro contra o 3º classificado, o Avintes.
Haviamos já recolhidos dados sobre o adversário, sabiamos o que nos esperava. Uma equipa forte físicamente, bastante dura e que disputa cada bola nos limites.
Mais do que nunca era preciso preparar estes meninos para uma exibição de sofrimento e de querer!
Na palestra algumas palavras de ordem: Para vencer é preciso querer mais, acreditar mais! É preciso garra, atitude e espírito de grupo.
Antes do jogo e ao intervalo terá sido a palestra mais profunda e ao mesmo tempo mais galvanizadora que tivemos. Os atletas deixavam bem patente no olhar, na atitude, na expressão de rosto a vontade de ganhar e a disponibilidade para dar o tudo por tudo.
Depois de um audível grito de grupo no balneário, entramos em campo e ali bem no centro um grito de “guerra” para os nossos adversários ouvirem. Estou certo que até “tremeram”!
O jogo foi viríl, feio, muito confronto físico, pouco futebol. Com o tempo percebia-se que o fundamental era ganhar pacientemente terreno para chegar á baliza.
Num lance algo confuso eis que Diogo, um goleador inesperado, recebe, domina, hesita..mas chuta para o fundo das redes, era a explosão de alegria!!!
Nada melhor do que um golo para ganhar confiança.
Fomos para o intervalo a vencer, mas a mensagem passada para os atletas é que estaria 0-0 e que tinhamos que dar tudo para ganhar! Os atletas perceberam, “trincaram” as línguas e foram para aquilo a que chamo “combate”, sim porque o que se assistiu na 2ª parte foi mais um combate do que um jogo. Lamentável.
Infelizmente os atletas do Avintes começaram a perder a paciência e começaram a “bater” autenticamente nos nossos jogadores.
Foi nesta altura que mostramos aquilo que para mim é um dos pontos mais importantes de uma equipa á minha imagem, estou certo que estou a falar também pelo Mister Zé e pelo Mister Guto, a lealdade para com o adversário! Fomos leais! Grande demonstração de carácter. Pessoalmente foi o momento que mais me faz orgulhar destes meninos e destes pais.
Tentamos fazer o nosso jogo quando nos deixaram e quando não nos deixaram. Da bancada adversária, insultos, incitamento á violencia, palavras menos próprias. Do nosso lado o incentivo e o fair-play.No campo, sobretudo o capitão da equipa adversário, ele que deveria ser o exemplo, a jogar desleal e feio.
Os nossos atletas a pedir desculpa pelas faltas cometidas e os adversários a virar a cara e a recusar cumprimentar um colega.
Enfim......
No final Justiça!!!!
“Sangue, suor, lágrimas” mas muita lealdade. Vencemos e vencemos bem!
Continua....
Assinado: Mister Nelson
1 comentário:
O Mister Nélson é um Filósofo!!!
Excelente narração do nosso ínicio de época...
Já disseste que o grupo é Fantástico?
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